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domingo, 10 de fevereiro de 2013
N._10.º_n.º13
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N._10.º_n.º12
Mendiga
Na vida
nada tenho e nada sou;
Eu ando a
mendigar pelas estradas…
No
silêncio das noites estreladas
Caminho
sem saber para onde vou!
Tinha o
manto do sol…quem mo roubou?!
Quem pisou
minhas rosas desfolhadas?!
Quem foi
que sobre as ondas revoltadas
A minha
taça de ouro espedaçou?
Agora vou
andando e mendigando,
Sem que
um olhar dos mundos infinitos
Veja
passar o verme, rastejando…
Ah, quem
me dera ser como os chacais
Uivando
os brados, rouquejando os gritos
Na
solidão dos ermos matagais!...
N._10.º_n.º11
Adeus
Já gastámos
as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos
ficou não chega
para
afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos
tudo menos o silêncio.
Gastámos os
olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as
mão à força de as apertarmos,
gastámos o
relógio e as pedras das esquinas
em esperas
inúteis.
Meto as
mãos nas algibeiras
e não
encontro nada.
Antigamente
tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se
todas as coisas fossem minhas:
quanto mais
te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu
dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu
acreditava.
Acreditava,
porque ao
teu lado
todas as
coisas eram possíveis.
Mas isso
era no tempo dos segredos,
no tempo em
que o teu corpo era um aquário,
no tempo em
que os meus olhos
eram peixes
verdes.
Hoje são
apenas os meus olhos.
É pouco,
mas é verdade,
uns olhos
como todos os outros.
Já gastámos
as palavras.
Quando
agora digo: meu amor...,
já se não
passa absolutamente nada.
E no
entanto, antes das palavras gastas,
tenho a
certeza
de que
todas as coisas estremeciam
só de
murmurar o teu nome
no silêncio
do meu coração.
Não temos
já nada para dar.
Dentro de
ti
não há nada
que me peça água.
O passado é
inútil como um trapo.
E já te
disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de
Andrade
N._10.º_n.º10
Os
que vinham da Dor tinham nos olhos
estampadas
verdades crudelíssimas.
Tudo
que era difícil era fácil
aos
que vinham da Dor diretamente.
A flor só era bela na raiz,
o
Mar só era belo nos naufrágios,
as
mãos só eram belas se enrugadas,
aos
olhos sabedores e vividos
dos
que vinham da Dor diretamente.
Os que vinham da Dor diretamente
eram
nobres de mais pra desprezar-vos,
Mar
azul!, mãos de lírio!, lírios puros!
Mas
nos seus olhos graves só cabiam
as
verdades humanas crudelíssimas
que
traziam da Dor diretamente.
Sebastião da Gama, in Campo Aberto
Trabalho - aqui
N._10.º_n.º 9
Morrer de Amor é Assim
Quem morre de tempo certo
Quem morre de tempo certo
ao cabo de
um certo tempo
é a rosa do
deserto
que tem
raízes no vento.
Qual a
medida de um verso
que fale do
meu amor?
Não me
chega o universo
porque o
meu verso é maior.
Morrer de
amor é assim
como uma
causa perdida.
Eu sei, e
falo por mim,
vou morrer
cheio de vida.
Digo-te
adeus, vou-me embora,
que os
versos que eu te escrever
nunca os
lerás, sei agora
que nunca
aprendeste a ler
Neste dia que se enquadra
no tempo
que vai passar,
termino
mais esta quadra
feita ao
gosto popular.
Joaquim Pessoa
N._10.º_n.º8
Dá-me
a tua mão
Dá-me a tua mão.
Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
— para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.
Dá-me a tua mão,
companheira,
até o Abismo da Ternura Derradeira.
até o Abismo da Ternura Derradeira.
José
Gomes Ferreira
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